Sonambulismo: sintomas, causas e tratamento

01 de março, 2021

Sonambulismo: sintomas, causas e tratamento

Foto: Divulgação/BBB/Fábio Rocha/TV Globo

Quem acompanha o BBB teve uma surpresa nos últimos dias. A participante Juliette Freire, uma das favoritas a levar o prêmio de R$ 1,5 milhão do programa, confessou aos companheiros de confinamento que sofre de sonambulismo

Durante sua entrevista pré-programa, ela já havia falado sobre isso, mas com pouca repercussão no público. Veja abaixo o momento da revelação: 

Por ser sonâmbula, ela algumas vezes fala durante o sono e até mesmo arruma a cama sem ter ciência do que está fazendo.

Juliette não está sozinha. Apesar das dificuldades em determinar quantas pessoas sofrem de sonambulismo, afinal os episódios quase nunca são lembrados ao despertar, estima-se que 5% das crianças e 1,5% dos adultos tenham esse distúrbio. 

O que é sonambulismo? 

O sonambulismo é um tipo de distúrbio do sono conhecido como parassonia. As parassonias são comportamentos fora do comum durante o sono e representam um estado limiar entre o despertar e o adormecimento. Por esse motivo, as ações de uma parassonia são consideradas não normais.

Os episódios de sonambulismo acontecem durante a etapa do não-REM (NREM) do sono, geralmente durante o sono de ondas-lentas. Eles são mais comuns na primeira ou segunda hora depois que a pessoa foi dormir e podem durar de alguns segundos até meia hora ou mais. Depois disso, volta-se a dormir normalmente. 

Causas do sonambulismo

São vários os fatores que podem desencadear que uma pessoa  em sono profundo acabe parcialmente acordada e execute ações sem perceber. Conheça alguns:

  • Genética – Estudos mostram que 47% das crianças cujo pai ou mãe é sonâmbulo também desenvolvem o distúrbio. A porcentagem sobe para 61% se ambos os pais tiverem sonambulismo.
  • Lesões cerebrais – A encefalite, ou inchaço do cérebro, pode ser um gatilho de sonambulismo. 
  • Estresse – Uma das consequências do estresse no sono é a sua fragmentação, ou seja, constantes disrupções muitas vezes não percebidas. Essa dificuldade de dormir “direto” pode impulsionar casos semelhantes aos de sonâmbulos.
  • Medicações – Sedativos e medicamentos que interferem nos padrões de sono.
  • Álcool – Assim como algumas medicações, o álcool tem efeito sedativo que atrapalha a continuidade do sono.
  • Outros distúrbios do sono – Tanto a apneia do sono quanto a síndrome das pernas inquietas podem causar interrupções parciais do sono que levam a eventos de sonambulismo. 
  • Doenças respiratórias – Casos de Asma também podem estar associados a casos de pessoas sonâmbulas.

Como o sonambulismo se manifesta?

O sonambulismo não acontece como em alguns filmes, no qual o sonâmbulo anda como zumbi, com os braços levantados na frente do corpo.

Durante um episódio, o sonâmbulo pode realizar diferentes atividades motoras, desde falar ou sentar na cama até ações mais complexas, como caminhar, tentar dirigir, praticar sexo (sexsônia), mudar de roupa e até mesmo alimentar-se. 

Para os colegas de Big Brother Brasil, Juliette contou que já teve casos em que ela arrumou a cama enquanto dormia.

Recentemente, a empresária canadense Celina Myers viralizou no TikTok ao publicar vídeos de seus episódios de sonambulismo. Além de conversar com seus gatos, certa vez ela começou a jogar latas de bebida pela porta, como se as entregasse para alguém. Ao todo, seus vídeos já tem 363 milhões de curtidas e um deles já superou 54 milhões de views.

Com esses dois exemplos, fica evidente que não existe um padrão de atividades do que um sonâmbulo pode ou não fazer. Em cada pessoa, os episódios se manifestam de uma maneira diferente e até para um mesmo paciente eles podem aparecer cada vez de um modo.

Justamente por isso o sonambulismo pode ser perigoso, já que, sem consciência do que está fazendo, a pessoa pode mexer em objetos cortantes, dirigir ou abrir a porta e ir até a rua.  Assim, é recomendável que casas de pessoas que sofrem dessa parassonia tenham travas de segurança em gavetas, que as portas fiquem trancadas durante a noite com a chave guardada em outro lugar e que sejam colocadas telas nas janelas, entre outros cuidados.

Eu posso acordar um sonâmbulo?

Quem nunca ouviu que acordar um sonâmbulo é perigoso que atire a primeira pedra. Isso é falso. O recomendado é que a pessoa seja redirecionada calmamente para a cama, mas se isso não puder ser feito, acordá-la tampouco trará prejuízos.

Pelo contrário, despertar alguém no meio de um episódio de sonambulismo pode evitar que ela se coloque em situações perigosas sem perceber. Apenas tente fazer isso de maneira suave e sutil, evitando o susto.

++ Leia Mais: Conheça as maiores mentiras e mitos do sono

Pontos para Juliette, que deu essa mesma explicação para seus companheiros no BBB.

Como é feito o diagnóstico de um sonâmbulo?

Como em muitos casos os episódios de sonambulismo não são lembrados pela manhã, os relatos de companheiros de quarto ou de casa são essenciais para o diagnóstico. Por isso, ao consultar um médico do sono é importante levar junto alguém que possa apresentar fatos que o paciente sozinho não conseguiria.

A discussão de sintomas é o passo seguinte para o médico precisar o diagnóstico de sonambulismo. Sonolência diurna e histórico familiar são alertas de que a pessoa tenha esse distúrbio.

A polissonografia e o eletroencefalograma, exame que mostra as ondas cerebrais, também são usados no diagnóstico.

O tratamento para pessoas com sonambulismo

Como com qualquer doença ou distúrbio, o tratamento de sonambulismo é individualizado para cada caso, afinal cada paciente tem as suas necessidades, comorbidades e particularidades.

Alguns dos tratamentos que podem ser recomendados são:

  • Higiene do sono, com a criação de um ambiente e estado de ânimo em preparação para o sono com objetivo de melhorar a sua durabilidade e qualidade.
  • Tratamento de causas externas, afinal problemas como apneia e estresse podem levar ao sonambulismo. Quando esse é o caso, tratar a doença originária pode solucionar ou ao menos diminuir os casos.
  • Terapia cognitiva, que também é recomendada em outros casos de doenças que causam ou têm como consequência um dormir turbulento.

Para casos mais graves, com episódios mais frequentes, podem ser indicados medicamentos que melhorem a qualidade do sono, como antidepressivos. 

Consulte sempre o seu médico para receber orientação quanto ao tratamento individualizado para o seu caso de qualquer doença ou distúrbio.

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