Outubro Rosa: como o sono pode reduzir o risco de câncer de mama

06 de outubro, 2021

Outubro Rosa: como o sono pode reduzir o risco de câncer de mama

66 mil. Essa é a estimativa do INCA – Instituto Nacional de Câncer de novos diagnósticos de câncer de mama no país em 2021. Descontando os casos de câncer de pele não melanoma, isso faz do câncer de mama o tipo de câncer mais comum no Brasil, superando por pouco o câncer de próstata. 

No mundo todo, uma em quatro mulheres diagnosticadas com câncer são do tipo câncer de mama. Só que a doença também afeta pessoas do sexo masculino, porém em incidência bem menor. A cada 100 casos de câncer de mama, um é em um homem

Por isso o post do Outubro Rosa também é para eles. Para a cura, quanto mais cedo o diagnóstico melhor. Para o diagnóstico vir mais cedo, quanto mais conhecimento melhor. E esse conhecimento também tem a ver com o sono.

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História do Outubro Rosa

O nome oficial do Outubro Rosa é Mês da Consciência do Câncer de Mama, ou Breast Cancer Awareness Month.

Existem diferentes versões sobre a história da campanha, mas a mais divulgada remonta a 1985, mais especificamente de uma parceria da Sociedade Americana de Câncer com a indústria farmacêutica para incentivar a realização de mamografias. 

O laço rosa surgiu no início dos Anos 90. A californiana Charlotte Haley, irmã, mãe e avó de mulheres com câncer de mama, começou a distribuir laços cor de pêssego para chamar a atenção da pouca verba para pesquisa sobre a doença. Em 1991, a Fundação Susan G. Komen entregou laços rosas para as sobreviventes que participaram da corrida de Nova Iorque.

O símbolo hoje é usado no mundo todo em campanhas de conscientização sobre o câncer de mama, inclusive no Brasil. 

O câncer de mama

O câncer de mama é causado pela multiplicação desenfreada e desordenada de células anormais na mama. Isso forma um tumor que pode invadir outros órgãos do corpo humano.

Não existe um padrão de tumor; eles podem aparecer em formatos e posições diferentes e crescer muito rápido ou muito devagar. Em todos os casos, o diagnóstico precoce é essencial para ampliar as chances de cura. Quando o tumor é detectado com menos de 1 cm, a probabilidade de cura é de 95%.

Por isso o autoexame frequente e a mamografia anual a partir dos 40 anos são tão importantes. O Ministério da Saúde fala em testes a cada biênio, mas muitos médicos preferem fazê-los todos os anos.

Uma rotina de vida saudável é considerada fundamental para diminuir o risco de desenvolvimento do câncer de mama. A amamentação também é considerada um “fator protetor“.

A genética também pesa: ter familiares diretos que tiveram tumores na mama ou nos ovários são fator de risco, assim como alguns fatores hormonais e reprodutivos (como menopausa após os 55 anos ou o uso de terapia de reposição hormonal) e fatores ambientais (obesidade na menopausa, consumo de álcool e exposição a radiações ionizantes, usadas em radiografias e tomografias computadorizadas). 

A relação entre o câncer de mama e o sono

A interação do câncer de mama com o sono é muito próxima em todos os estágios da doença.

A começar pelos efeitos que ela causa na qualidade de vida noturna de um paciente. Os sintomas, os efeitos colaterais e até mesmo o estresse causados podem desencadear problemas para dormir. As mudanças físicas e emocionais causadas pelo câncer podem mudar os padrões de sono para sempre, mesmo quando o tratamento terminou há meses. 

“É muito comum para pacientes que estão em tratamento ter alterações no sono. Tanto pelos medicamentos e efeitos do tratamento, desconforto na recuperação de uma cirurgia, quanto pela preocupação e pelo conjunto de sentimentos relacionados a essa fase”, explica a Dra. Flávia da Rocha Lapa, médica mastologista. “Mas justamente nessa etapa de tratamentos sequenciais é que o corpo deveria ter o descanso adequado para auxiliar na sua recuperação e na boa resposta ao tratamento. Manejar a qualidade do sono nessas pacientes é de fundamental importância!”

A relação entre o sono e o câncer de mama, porém, pode vir antes mesmo dos primeiros sintomas. 

Sono ruim pode aumentar o risco de câncer de mama

O sono forma o tripé da saúde ao lado da alimentação e da prática de exercícios físicos. Então assumir que dormir mal pode ter alguma relação com o aparecimento do câncer de mama e outros tumores é algo que a ciência naturalmente faz. A Dra. Flávia Lapa explica:

“O sono de baixa qualidade está relacionado a inflamação crônica por diversos mecanismos. Caso esse sono ruim esteja também associado a desordens respiratórias, acontece ainda uma alteração na oxigenação dos tecidos, conhecida como hipóxia. Os dois fatores estão envolvidos na carcinogênese, ou seja, são fatores que participam do surgimento de um câncer“. 

Acontece que não é apenas dormir mal que aumenta o risco de câncer, a quantidade de horas também importa.

Uma análise de mais de 415 mil casos feita na China encontrou clara correlação entre a duração do sono e o desenvolvimento de tumores na mama. Mais precisamente, essa relação está no câncer de mama do tipo ​​receptor de estrogênio positivo: quanto mais longa é a noite de sono, mais chances de um tumor aparecer.

A conclusão deste estudo é clara: “mulheres com um sono de maior duração podem ter um risco significativamente maior de desenvolverem câncer de mama, especialmente do tipo ER+ se comparado ao risco das mulheres com uma duração de sono normal”.

Para análise, o estudo usou como referência noites de sono com mais de sete horas. A Dra. Flávia Lapa, porém, cita como preocupação as noites que duram mais de 10 horas.

“Muitas horas para adultos significam mais do que 10 horas de sono, fato que está relacionado a um aumento da mortalidade por câncer principalmente em pacientes com sobrepeso e obesidade.”

A mesma reação linear não foi encontrada no câncer de mama do tipo ​​receptor de estrogênio negativo.

Dormir pouco também aumenta o risco de câncer

Se dormir muito e dormir mal aumentam o risco de aparecimento de tumores, o mesmo pode acontecer com as pessoas cujo sono é insuficiente.

É o que indica um estudo na UNESP de São José do Rio Preto, que encontrou evidências de que a melatonina pode ser um fator de proteção contra o câncer de mama. Dormindo poucas horas, a produção de melatonina naturalmente é menor, diminuindo essa proteção.

Na pesquisa, o hormônio do sono conseguiu diminuir a proliferação de células induzida pelo composto químico bisfenol A e o hormônio estrógeno, ambos conhecidos por estimularem o crescimento do tumor. Isso abre caminho para que a melatonina possa ser usada como coadjuvante no tratamento de pessoas com câncer de mama.

O sono como método de tratamento do câncer de mama

“Apenas” dormir mal isoladamente não fará que uma pessoa desenvolva câncer de mama, mas o sono ruim de fato é um fator de risco que aumenta as chances de o tumor aparecer.

Com a perspectiva oposta, o tratamento da doença não envolve apenas dormir bem, mas o sono de qualidade é essencial para a manutenção e cuidado com a saúde mental durante este período e ainda ajuda na recuperação. 

63% das mulheres com câncer de mama metastático apresentam ao menos um tipo de distúrbio do sono. Cada distúrbio acaba relacionado com algum outro problema gerado pelo tumor.

Dificuldades para cair no sono, por exemplo, aparecem associadas a mais sintomas de depressão e mais quadros de dor. Sintomas depressivos também têm associação com pacientes que têm mais dificuldade de acordar e aqueles que têm mais despertares no meio da noite.

Por todos esses motivos, o sono deve ser considerado por médicos e pacientes como parte fundamental da prevenção, tratamento e vida pós cura do câncer de mama. 

“Para uma paciente que busca prevenção de câncer de mama, para aquela que está em tratamento ou já se recuperou, o sono de qualidade é sinônimo de saúde e não se atinge o equilíbrio que o corpo precisa sem essa peça chave”, conta a Dra. Flávia Lapa.

Lembre-se sempre da importância de fazer os exames de detecção de câncer de mama periódicos com seu médico e o autoexame em casa com frequência. No vídeo abaixo, você encontra o passo a passo do autoexame.

Quanto antes um tumor for detectado, maiores as chances de cura. Cuide-se e durma bem.

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