Como a depressão afeta tanto o sono: da insônia ao sono excessivo

29 de setembro, 2021

Como a depressão afeta tanto o sono: da insônia ao sono excessivo

A depressão é um distúrbio de saúde mental relativamente comum. De acordo com a PNS – Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, no Brasil 16,3 milhões de pessoas sofrem de depressão. 

Isso representa mais de 10,2% da população, um aumento de 2,6 pontos percentuais desde a pesquisa anterior, em 2013. Em ambos os estudos, foram consideradas apenas pessoas acima de 18 anos. Essa incidência dobra a global, que é de 5% segundo a OMS.

Mesmo com tanta gente afetada em todo o mundo, ainda existe muita dúvida e muito estigma sobre a depressão e também sobre a sua relação com o sono, que é igualmente bastante complexa.

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Entendendo o que é a depressão

A depressão é um distúrbio de saúde mental que afeta negativamente a maneira de agir, sentir e pensar de uma pessoa, causando sentimentos de tristeza e ou perda de interesses em atividades que antes eram prazerosas. 

Ela pode causar também uma variedade de problemas emocionais e físicos que afetam a capacidade de levar a vida nos âmbitos pessoal e profissional. 

Assim como acontece com a ansiedade, a depressão é, na verdade, um termo que abriga diferentes distúrbios depressivos, tais como:

Transtorno Afetivo Sazonal ou Seasonal Affective Disorder – SAD, um tipo de depressão que ocorre sempre na mesma época do ano, usualmente começando no final do outono ou no início do inverno. 

– Distimia, um tipo de depressão crônica que perdura por pelo menos dois anos. Também é chamada de distúrbio de depressão persistente.

– Depressão pré-natal, que ocorre durante a gravidez.

– Depressão pós-parto, que acontece no primeiro ano após o nascimento do bebê.

– Distúrbio da desregulação do humor disruptivo (TDDH), que envolve uma irritabilidade crônica e severa, além de frequentes explosões temperamentais em crianças e adolescentes dos seis aos 18 anos.

Existem ainda outros tipos de depressão.

O que causa a depressão

A depressão é resultado de um desbalanço químico no cérebro, mas isso “não expressa o quão complexa é a doença”, explica a Universidade de Harvard. 

De fato, não faltam evidências que mostram que ela é consequência de alterações químicas cerebrais, sobretudo relacionadas a neurotransmissores como a serotonina e a noradrenalina, mas a depressão não surge exclusivamente por isso. 

Existem diversas causas para a doença, incluindo dificuldades de regulação de humor pelo cérebro, vulnerabilidade genética, estresse, eventos traumáticos, medicação ou problemas médicos. A depressão acontece por um conjunto total ou parcial dessas forças.

Sintomas da depressão e diagnóstico

Os sintomas da depressão podem variar de pessoa para pessoa. Cada paciente diagnosticado com o distúrbio pode apresentar um conjunto próprio de sintomas dentro daqueles vistos abaixo:

  • Sentimento triste ou deprimido;
  • Perda de interesse por atividades que antes geravam prazer;
  • Mudanças bruscas no apetite, com grande perdas ou ganhos de peso;
  • Problemas de sono, com dificuldade para dormir ou sono excessivo;
  • Baixa energia e fadiga constante;
  • Movimentos lentos, incluindo de fala;
  • Agitação, com necessidade de estar sempre se movendo;
  • Sentimento de falta de propósito;
  • Sentimento de culpa constante;
  • Dificuldade de concentração e tomada de decisões;
  • Pensamentos suicidas;
  • Dores inexplicáveis; 
  • Irritabilidade;

Apresentar um ou mais desses sintomas não significa obrigatoriamente que você sofra de depressão, inclusive porque outras doenças podem apresentar algumas características similares. 

Mas, se você se sentir identificado, procure um psicólogo, um psiquiatra ou o seu médico de confiança para discutir o assunto. Depressão é coisa séria e exige cuidado e atenção.

A diferença entre depressão e tristeza

A tristeza é a reação humana natural a uma situação difícil, como uma perda, uma decepção, ou quaisquer outros problemas. Ficar triste faz parte do que é ser humano e é um sentimento tão importante quanto qualquer outro. 

A duração é essencial na diferenciação entre estar triste e deprimido. A tristeza vai embora com o tempo e é reflexo de um fato cotidiano.

Já a depressão é um distúrbio de saúde mental que não necessariamente tem como gatilho uma situação vivida. Ela pode não ter um motivo aparente e durar um longo tempo se não for tratada.

A relação entre sono e depressão

A depressão e o sono estão intimamente ligados. A grande maioria das pessoas com distúrbios depressivos apresentam problemas relacionados ao dormir, mas não necessariamente o mesmo problema. 

Enquanto alguns pacientes apresentam quadros de insônia, outros têm sintomas de hipersonia, ou seja, sono excessivo.

Pesquisas indicam que uma em cada quatro pessoas diagnosticadas com depressão tem sintomas de insônia. A incidência da hipersonia é menor: 40%. 

Há ainda pacientes que alternam entre os dois espectros. 

Os distúrbios do sono são tão comuns em pessoas que sofrem de depressão, que muitas vezes sua ausência é considerada fator que exclui a possibilidade de diagnóstico. Mas por mais frequentes que sejam, eles não são obrigatórios. Uma pessoa pode ser diagnosticada com depressão sem ter alterações significativas nos padrões de sono.

Sono ruim pode causar depressão e depressão pode causar sono ruim

Em outras palavras: em muitos casos não é possível saber qual dos dois problemas é primário, se o sono ou o distúrbio mental. Os dois caminhos são possíveis.

Em reportagem da Revista do Sono, a neuropsicóloga Dra. Katie Almondes, da Associação Brasileira do Sono, ainda explica que essa bilateralidade na interação entre insônia e depressão é tão intensa que definir quem veio primeiro em um caso específico é tarefa hercúlea e que exige uma investigação profunda.

“Uma entrevista clínica pormenorizada, realizada por especialistas na área de saúde mental e sono, acessando a história anterior aos sintomas e/ou quadros clínicos, e contando com a ajuda dos familiares que acompanham esse indivíduo, pode ajudar, ocasionalmente, a tentar reconhecer o quadro inicial”.

Um estudo do americano National Institute of Mental Health mostrou que 14% dos participantes com insônia desenvolveram um distúrbio de depressão importante um ano depois. O risco foi 24,5 vezes menor para as pessoas que neste período conseguiram resolver a dificuldade para dormir. 

Por outro lado, dormir mal é um fator estressor que pode ao longo do tempo causar uma série de dificuldades cognitivas e de humor que funcionam como gatilhos da depressão. A insônia aumenta em até quatro vezes o risco de depressão.

Por todos esses motivos, é possível afirmar com tranquilidade que cuidar do sono hoje garante a saúde mental agora e também no futuro. Dormir uma hora mais cedo pode reduzir em 23% o risco de depressão grave.

Outras alterações no sono

Os efeitos da depressão na hora de dormir não se limitam aos distúrbios. 

A latência do sono, por exemplo, pode aumentar consideravelmente, ampliando o tempo que uma pessoa passa na cama antes de efetivamente conseguir dormir. Isso afeta negativamente a chamada eficiência do sono

Esse tipo de comportamento também pode aumentar o risco de ansiedade e se tornar uma bola de neve: quanto mais difícil é dormir, mais ansioso se fica e pior se dorme, aumentando ainda mais o problema com a depressão. 

A arquitetura do sono, ou como ele transita pelas diferentes fases do sono, também acaba prejudicada. O Sono Leve (Fase 1), por exemplo, aumenta de proporção, fazendo crescer também os despertares e microdespertares durante a noite.

Por outro lado, cai a proporção de sono profundo, responsável pelo processamento de memórias positivas, pelo relaxamento do corpo e da mente e pela promoção da criatividade. Todos estes são fatores que podem impactar a qualidade da saúde mental.

O Sono REM, no qual acontecem a maioria dos sonhos e a fixação das memórias, também aparece em menor quantidade em pessoas com distúrbio depressivo, especialmente nos últimos ciclos do sono. Em condições normais, o Sono REM vai ficando mais longo com a evolução da noite. 

É por todos esses motivos que o tratamento da depressão obrigatoriamente passa pelo tratamento e pelos cuidados com o sono, quebrando a cadeia do círculo vicioso que se forma entre eles. Isso pode ocorrer de forma medicamentosa ou educativa, com práticas como a higiene do sono.

Dormir bem para viver melhor. Dormir bem para cuidar da saúde mental.

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