Da infância à vida adulta: mudanças no cronotipo ao longo da vida

27 de fevereiro, 2021

Da infância à vida adulta: mudanças no cronotipo ao longo da vida

Pode reparar: quando a gente é criança, dorme muitas horas e a qualquer momento. Depois, vai crescendo e diminuindo as horas de sono. Na adolescência, dormimos cada vez mais tarde e a preguiça nas primeiras horas do dia reina. Quando chegamos à fase adulta, alguns são mais da manhã, outros mais da tarde e tem também quem continue noturno como na adolescência. Isso acontece porque passamos por mudanças no cronotipo.

É isso mesmo. A explicação é tão simples quanto possa parecer: porque nós mudamos. Da mesma forma que a nossa personalidade, o nosso corpo e a nossa cabeça mudam, os nossos hábitos de sono também mudam. O nosso cronotipo muda.

É um fato que nossos horários de dormir também são influenciados por fatores externos, como o trabalho e círculos de amigos. Mas parte da “culpa” é do nosso relógio biológico, que evolui com a idade.

O que é cronotipo

“Cronotipo é a predisposição natural que cada indivíduo tem de sentir picos de energia ou cansaço, de acordo com a hora do dia.”

Essa é a definição de cronotipo do Instituto Internacional de Melatonina (IiMEL), ligado à Universidade de Granada, na Espanha.

Em resumo, o cronotipo é o que faz algumas pessoas serem mais “da manhã”, cheias de disposição logo nas primeiras horas do dia e terem um sono que começa mais cedo, e outras serem “da noite”, com o pico de energia mais tarde e, consequentemente, um sono que também é mais tardio. 

As mudanças no cronotipo durante a vida

Ao longo da vida o nosso cronotipo vai “crescendo” e mudando conosco. Apesar de ele ser uma característica fisiológica individual, por grupos de idade é possível identificar tendências fortíssimas.

Para a grande maioria das pessoas, os ciclos de despertar e dormir mudam mais de uma vez ao longo da vida e os grandes responsáveis por isso são os hormônios. Não é à toa que a mudança mais forte acontece na fase da adolescência, quando o corpo sofre um turbilhão com eles.

Nas mulheres, a questão hormonal é ainda mais evidente. Pesquisas mostraram que durante os dois primeiros trimestres da gravidez elas tendem a mudar para um cronotipo mais matutino. Já no último trimestre, retornam ao seu padrão de sono tradicional.

Um estudo brasileiro de 2014 foi ainda mais além ao relacionar a diminuição dos níveis de estrogênio em mulheres acima de 45 anos com mudanças no cronotipo matutino para um mais tardio. 

O cronotipo das crianças

Em termos gerais, na infância há uma grande tendência a um cronotipo matutino e isso acontece sobretudo nas meninas. 

Os próprios pais percebem essa característica em casa. Em um estudo conduzido na região de Zurique, na Suíça, 46% deles disseram que seus filhos são “definitivamente matutinos” ou “mais matutinos que noturnos”, enquanto apenas 37% apontam que suas crianças têm tendências mais noturnas. 

Esse mesmo estudo, porém, afirma que no geral pouco se sabe sobre o desenvolvimento, distribuição e variabilidade de cronotipos em crianças pré-púberes. O que sim é certo é que os problemas de sono infantis, tais como resistência ao sono e despertares prolongados durante a noite, afetam cerca de 25% das crianças até 10 anos. Alguns estudiosos ligam essa taxa à falta de sincronização do cronotipo com a expectativa dos pais e com o horário escolar.

O cronotipo na adolescência

É nessa fase em que, na grande maioria dos casos, ocorrem as maiores mudanças no cronotipo durante a vida. Na transição da infância para a adolescência, vamos deixando o perfil matutino mais para trás e nos tornamos seres vespertinos ou noturnos.

Está cientificamente provado que adolescentes têm um atraso na curva de melatonina, fazendo com que eles tenham sono bem mais tarde que as demais faixas etárias. É claro que agentes externos como a tecnologia acabam atrapalhando o descanso, mas os seus próprios corpos também pedem isso.

Por esse motivo existe uma campanha mundial crescente em prol da mudança do horário escolar dos adolescentes, afinal ele não é condizente com a rotina de dormir dessa parcela da população. 

Essa preferência pela noite começa a diminuir ao redor dos 20 anos, exatamente o final do sufixo –teen nos numerais em inglês, o que caracteriza a época jovem. Então podemos afirmar que o início da preferência pela manhã é um marco do fim da adolescência.

O cronotipo na fase adulta

Falar que a matutinidade é um marco do fim da adolescência não quer dizer que isso acontece com todas as pessoas e de maneira veloz. Você não faz desperta um dia e de repente quer acordar e dormir cedo. É um processo lento, sobretudo para homens, e que,  em alguns casos, pode até mesmo não chegar.

De fato é isso que é observado na pesquisa Acorda, Brasil!, desenvolvida a pedido do Persono, conduzida pela plataforma de human analytics da MindMiners – empresa de tecnologia e coordenada pela consultoria Unimark/Longo. Nela, 30% dos participantes, brasileiros adultos de todas as regiões do país, se declaram matutinos. Essa é a mesma proporção dos vespertinos. Os demais são intermediários.

Em seu livro Cronotipos Humanos, Leandro Lourenção Duarte explica essa evolução lenta e contínua. “Indivíduos adultos jovens estão mais associados com o caráter da vespertinidade e idosos com a matutinidade. Em indivíduos idosos, saudáveis e sem distúrbios do sono, os parâmetros do ritmo circadiano de melatonina, de temperatura corporal e ritmo de cortisol ocorrem mais cedo do que em adultos jovens“. 

E você, qual é o seu cronotipo? Faça o teste de cronotipo clicando aqui

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