Geografia do sono: como são os hábitos do sono ao redor do mundo

19 de fevereiro, 2021

Geografia do sono: como são os hábitos do sono ao redor do mundo

Dormir é uma ação tão orgânica e natural que nem sequer paramos para pensar muito nela, isso graças ao ritmo circadiano, popularmente conhecido como relógio biológico. 

Em termos gerais, quando chega a noite, a gente deita e dorme, cada um com seus hábitos muito particulares. Alguns usam pijamas, outros preferem dormir nus. Alguns não ficam sem uma máquina de ruído branco e outros preferem um um aromatizador de ambiente. Tem quem curta um cházinho para embalar o sono ou aqueles que evitam ao máximo líquidos à noite.

Pouco importa como você dorme: o importante é dormir bem e a quantidade adequada de horas para você.

Mas… você já parou pra pensar se todo mundo dorme como você? Não em termos de posição para dormir, higienização do sono ou qualquer coisa assim, mas sim apenas dormir. 

Além de uma necessidade biológica do nosso corpo, o descanso noturno também é um ato cultural. O sono ao redor do mundo é diferente e depois de ler esse post você talvez você até queira adotar alguns dos hábitos que está prestes a conhecer. Quer ver só?

A geografia de dormir: o sono ao redor do mundo

Da siesta espanhola à boneca guatemalteca passando pelas caixas finlandesas e a felicidade alemã, o sono ao redor do mundo tem particularidades que a gente nem imagina.

Espanha: o hábito da siesta que para cidades

Falar em cochilar depois do almoço é falar em Espanha, certo? Culturalmente sim, mas na realidade esse é um hábito que surgiu na Itália. A palavra siesta provém do latim sexta e faz referência à comida e descanso tomados pelos romanos na sexta hora luminosa do dia.

Desde sua origem, a soneca vespertina virou um hábito transcultural, mas ela encontrou fama na Espanha graças ao peculiar horário de trabalho no país, que tradicionalmente costumava acontecer em dois períodos, com um intervalo de duas horas pelas tardes.   

“Uma siesta breve alivia o estresse, fortalece o sistema imunológico e melhora o rendimento”, explica o ex-presidente da Sociedade Espanhola do Sono Juan José Ortega.

Apesar da associação cultural, a siesta vem perdendo força na Espanha, sobretudo nos grandes centros urbanos, que não param mais no começo da tarde. Atualmente, 60% dos espanhóis afirmam nunca fazer cochilo.

Japão: cama ociental x futon

Um dos grandes atrativos para quem viaja ao Japão é experimentar a experiência de deixar o colchão de lado e dormir algumas noites em um futon. Mais do que uma atração turística, essa é a tradicional forma japonesa de se dormir nos washitsu (和室), como são chamados os quartos típicos do país, sede dos Jogos Olímpicos de 2021

Essa “cama” oriental é composta por um “colchão” de algodão e um edredom por cima que, apesar de ser a tradição, é relativamente recente na história do Japão, já que surgiu no período das guerras civis japonesas mas só se popularizou para as massas no século XX.

O benefício do sono em futon (ou qualquer colchão mais duro) acontece sobretudo para pessoas com dores crônicas nas costas. Dividindo as superfícies em uma escala de dureza 1 a 10, do menos ao mais firme, um grupo de pesquisadores espanhóis determinou que o ideal é dormir naquelas entre as pontuações entre 6 e 7. O nível 8 é considerado o segundo melhor, confirmando os benefícios da firmeza para o sono.

Finlândia: caixa para os bebês

Na Finlândia, nada de bercinho caro ou moisés. Por lá, os recém-nascidos dormem em caixas de papelão.

A distribuição dessas caixas para todas as novas mães começou em 1930 e é feita pelo governo local. Elas vêm recheadas de produtos para bebês, entre eles um colchãozinho que permite um sono mais confortável para os pequenos. 

A ideia fez tanto sucesso que passou a ser adotada também na Escócia e em partes da Inglaterra. Por lá, a associação que representa as parteiras agora quer implementar o sistema em todo o Reino Unido e promover um “início de vida mais igualitário“. Por outro lado, diferentes profissionais de saúde questionam a sua segurança.

Guatemala: sem medo dos monstros embaixo da cama

No país da América Central o filme Monstros S/A jamais poderia acontecer. É que por lá a criançada não tem medo de dormir sozinha ou do escuro graças às muñecas quitapenas, ou bonecas “que tiram as penas”.

Diz a cultura popular local que, quando você sussurra para as bonecas os seus medos e preocupações e as coloca debaixo do travesseiro para dormir, elas ajudam a ter uma noite tranquila de sono, sem pesadelos. 

De acordo com a tradição maia, a deusa do milho Ixmucané se transformou e reencarnou nas muñecas quitapenas. Cada pessoa deve ter seis dessas bonequinhas, uma para cada dia da semana exceto o domingo, já que até elas, e por consequência a deusa, merecem um descanso semanal.

Alemanha: casais mais felizes

Quem dorme acompanhado sabe: em muitas noites acontece uma guerra silenciosa pelas cobertas. Um dos parceiros puxa todo o lençol para si e o outro acaba acordando de madrugada e tem que “recuperar” a proteção.

Na Alemanha, isso não acontece graças a uma ideia muito simples: uma cama, dois edredons. É isso mesmo, ao invés de dividirem a mesma coberta, cada um têm a sua, evitando brigas e irritações durante a noite. 

Em países da Escandinávia e na Áustria a tradição de “lençóis separados” também existe.

Reino Unido: pijama? Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar

Uma pesquisa realizada pela National Sleep Foundation em 2013 revelou dados curiosos sobre o sono ao redor do mundo. Entre eles, esse: o Reino Unido é onde as pessoas mais dormem nuas.

Por lá, 30% das pessoas dispensam pijamas e camisolas e preferem cair no sono como vieram ao mundo. Esse dado é maior do que qualquer outro local pesquisado. 

De acordo com a medicina do sono, entre os benefícios de dormir sem roupa estão a saúde da pele, promoção da saúde vaginal e aumento da fertilidade masculina.

E aí, qual desses hábitos do sono ao redor do mundo você pretende adotar na sua rotina? Buenas noches, konbanwa, hyvää iltaa, guten Abend, good night. Boa noite. 

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