Como o Alzheimer afeta o sono. Como o sono tem culpa no Alzheimer

21 de setembro, 2021

Como o Alzheimer afeta o sono. Como o sono tem culpa no Alzheimer

O Alzheimer, popularmente conhecido como mal de Alzheimer, é uma doença neurológica que gera uma deterioração completa, progressiva e irreversível de algumas funções comportamentais e cognitivas como a memória, a concentração e a linguagem.

Pessoas com a doença de Alzheimer têm grandes disrupções do sono, o que afeta a sua própria vida e a de seu cuidador, uma figura essencial sobretudo nas fases mais avançadas da doença, quando o paciente já é incapaz de cuidar de si mesmo. 

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O sono ainda tem papel fundamental no aparecimento dos primeiros sintomas da doença, fazendo que a relação bilateral entre eles seja uma das mais intensas. 

Entendendo a doença de Alzheimer 

O Alzheimer é a forma mais comum de demência, responsável por dois a cada três casos em pessoas acima dos 65 anos de idade. Segundo a OMS, a doença é a sétima maior causa de morte do mundo, superando, por exemplo, doenças no rim. A pesquisa é de 2019, anterior à pandemia de Coronavírus. 

No Brasil, estima-se que dois milhões de pessoas convivam com alguma forma de demência, cerca de 60% delas com Alzheimer. Nos últimos 30 anos, o número de pacientes diagnosticados no país subiu 127%. Com uma população acima dos 60 anos que deve crescer mais de 280% até 2050, a tendência é que esse número suba ainda mais. 

A deterioração causada pelo Alzheimer tem como consequência alterações na capacidade funcional, no comportamento e na personalidade de uma pessoa, dificultando cada vez mais a execução das atividades mais simples da rotina. 

Essas alterações são progressivas e vão aparecendo com a evolução da doença, que acontece em quatro estágios. Eles são definidos pelo Ministério da Saúde da seguinte maneira:

  • Forma inicial (Estágio 1): alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais.
  • Forma moderada (Estágio 2): dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos. Agitação e insônia.
  • Forma grave (Estágio 3): resistência à execução de tarefas diárias. Incontinência urinária e fecal. Dificuldade para comer. Deficiência motora progressiva.
  • Terminal (Estágio 4): restrição ao leito. Mutismo. Dor ao engolir. Infecções intercorrentes.

A doença de Alzheimer é incurável. O tratamento tem como objetivo retardar a evolução entre as fases, melhorar a qualidade de vida do paciente e preservar por mais tempo possível as suas funções intelectuais. 

Quanto mais precoce é o diagnóstico, maior a chance da manutenção prolongada do funcionamento cognitivo. 

A origem do Alzheimer pode estar no sono ruim

A doença de Alzheimer é gradual e progressiva, causada pela morte de células neuronais. A origem de tudo isso pode estar em noites mal dormidas.

Durante o dia, produzimos a proteína beta-amilóide, que é responsável pela proteção do cérebro contra ataques, como uma espécie de barreira contra vírus, fungos e bactérias.

Quando estamos dormindo, as células cerebrais e suas conexões diminuem de tamanho para “abrir espaço” para que o excesso de beta-amilóide, junto a outras substâncias que se acumulam, seja eliminada. 

Algumas teorias mais recentes indicam que, se uma pessoa não dorme o suficiente, ela não tem tempo para eliminar a quantidade adequada dessa proteína, que pouco a pouco vai se acumulando e formando placas.

A aparição dessas placas é considerada o primeiro sinal da doença em uma pessoa. Não à toa a beta-amilóide ficou conhecida como “a proteína do Alzheimer“. 

Dormir pouco aumenta o risco do desenvolvimento de demência

O Alzheimer pode ter origem não somente no pouco sono como também no sono de baixa qualidade.

Uma análise de três décadas de mais de 8 mil pacientes mostrou que dormir menos de seis horas depois dos 50 anos aumenta em 30% a probabilidade do diagnóstico de demência. 

Outro estudo, dessa vez produzido pela Universidade de Harvard, concluiu que quem dorme menos de cinco horas por noite têm duas vezes mais chances de desenvolver demência

Como o Alzheimer afeta o sono do paciente

Assim como acontece com outras doenças, a relação entre o sono e o Alzheimer é bilateral. Isso quer dizer que dormir mal pode acentuar os sinais como a falta de memória, dificuldade de acompanhar raciocínios complexos e irritabilidade. Os sintomas, por sua vez, acentuam as dificuldades para dormir. 

Essas pessoas ainda enfrentam problemas para dormir bastante acentuados: noites mais curtas, sono fragmentado e mudanças no ritmo circadiano, popularmente conhecido como relógio biológico, o que faz com que o paciente troque a noite pelo dia

Isso acontece, em parte, devido a mudanças celulares que acontecem no cérebro de quem é afetado pela doença e também, em partes, por potenciais problemas na produção da melatonina. 

Alguns desses problemas podem ser confundidos com as mudanças naturais que acontecem com a idade, mas o Alzheimer tem outros marcadores bastante próprios. 

Esse é o caso, por exemplo, da redução de atividade de ondas lentas, que acontece durante a terceira fase do ciclo do sono, o chamado sono profundo. Entre outras coisas, ele é responsável pelo descanso mental e pelo processamento das memórias. 

Pouco sono de ondas lentas dificulta a retenção daquilo que aprendemos, algo bastante coerente com um dos sintomas mais clássicos do Alzheimer. 

Distúrbios do sono

Esses são os distúrbios do sono mais comuns em pessoas com doença de Alzheimer:

  • Apneia Obstrutiva do Sono, que pode atingir até metade dos pacientes. Ao causar microdespertares durante à noite, a AOS diminui ainda mais a qualidade de um sono já naturalmente prejudicado. O uso do CPAP é um dos tratamentos recomendados. 
  • Síndrome das Pernas Inquietas e ou cãibras nas pernas, o que pode indicar problemas metabólicos. Pode ser até duas vezes mais comum em pessoas com dificuldades cognitivas do que naqueles saudáveis.

Existe ainda o sundowning (ou confusão noturna) marcado pelo surgimento de comportamentos “exacerbados” de desorientação, falta de atenção, inquietude, agitação e ansiedade nas últimas horas da tarde e ao anoitecer. Esse é um distúrbio característico da demência.

Sua etiologia ainda não está de todo consensuada, mas uma das hipóteses aponta que, com a progressão da doença, o paciente tem cada vez menos compreensão do que se passa ao seu redor. Essa inquietude e confusão seriam uma tentativa de restaurar sensações de familiaridade e/ou segurança.

Dicas para melhorar o sono de um paciente com Alzheimer

Proporcionar sono de mais qualidade a uma pessoa com doença de Alzheimer é fundamental na sua qualidade de vida. Dormir bem pode ajudar no controle de alguns sintomas e tornar a rotina um pouco menos dura. 

Apontar quaisquer alterações no sono para o médico

A sensibilidade aos problemas do sono é mais intensa nesses pacientes, por isso a menor alteração pode ter os maiores impactos. O médico é capaz de redirecionar o tratamento para cuidar destes problemas antes que eles cresçam, inclusive ajustando o horário de medicações ou indicando fármacos que ajudem na indução do sono.

Banhos de sol pela manhã

A presença e ausência de luz é o que regula a produção de melatonina e, consequentemente, o ritmo circadiano. Uma dose de sol pela manhã ajuda a despertar e diminuir a vontade de dormir de dia, consequentemente melhorando o sono noturno. 

Na impossibilidade de luz natural, pode ser estudado o uso de terapia de luz, comumente indicada para pacientes com distúrbios de sono relacionados a disrupções no relógio biológico.

Desenhar uma rotina ao redor da qualidade do sono

Isso inclui não apenas a criação de uma rotina de higiene do sono, mas também a preocupação com tudo o que acontece durante o dia. 

Por exemplo, considerando os efeitos do sundowning, devem ser deixadas para a manhã as atividades que possam gerar estresse ou desconforto, como exames médicos.

Reservar a tarde e a noite para atividades mais tranquilas, como ouvir música relaxante ou leitura, pode ajudar no sono depois.

Todo o foco do tratamento do paciente com Alzheimer está voltado para a qualidade de vida e a contenção do avanço dos estágios da doença, que ainda é irreversível e incurável na tecnologia médica atual. Dormir bem faz parte dessa vida melhor. Boa noite.

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