O que você precisa saber sobre sexônia, distúrbio de sono e sexo

06 de setembro, 2021

O que você precisa saber sobre sexônia, distúrbio de sono e sexo

Alguns distúrbios do sono levam as pessoas a terem ações pouco comuns, de falar ou ficar completamente paralisadas a sair caminhando por aí, o sonambulismo. Só que também existe um distúrbio que leva as pessoas a praticarem atividades sexuais enquanto dormem. Esse distúrbio se chama sexônia.

A sexônia é caracterizada por comportamento sexual pouco usual durante o sono, envolvendo ou não outra pessoa. Em outras palavras, além de engajar efetivamente em sexo, ela pode desencadear também movimentações de caráter sexual e masturbação, entre outros. A inconsciência do fato torna a pessoa que está a seu lado uma vítima em potencial. 

Por causa dessas características, a sexônia é categorizada como um distúrbio do sono do tipo parassonia do sono não-REM, ou seja, um evento incomum durante o sono, representando um estado limítrofe entre o despertar incompleto e o adormecimento. Como características estão a pouca responsividade à intervenção externa e a limitada função cognitiva. É difícil acordar uma pessoa durante um episódio.

O sonambulismo e o terror noturno também são parassonias do sono não-REM.

O que causa a sexônia

Por ser um distúrbio do sono relativamente novo (os primeiros casos foram diagnosticados apenas nos Anos 80), as pesquisas sobre a sexônia ainda são bastante limitadas. 

O que parece bastante claro para os médicos é que, na maioria dos casos, ela está ligada a outro distúrbio do sono, especialmente aqueles de classificação similar. Em um estudo conduzido no Reino Unido, por exemplo, 73% dos pacientes com comportamento sexual no sono também tinham um histórico de outra parassonia. 

Além das parassonias, outros distúrbios são fatores de risco para a sexônia, tais como:

  • Apneia obstrutiva do sono;
  • Insônia crônica;
  • Síndrome de Kleine-Levin;
  • Síndrome das Pernas Inquietas;
  • Narcolepsia;
  • Distúrbios dissociativos relacionados ao sono;
  • Convulsão relacionada ao sono;
  • e Bruxismo, entre outras.

Ter um ou mais desses distúrbios, sejam eles parassonias ou não, não significa que a pessoa vá em algum momento apresentar o distúrbio da sexônia. Eles são apenas fatores de risco, assim como a obesidade é um fator de risco para a apneia. 

A Academia Americana de Medicina do sono estima que, entre pessoas diagnosticadas com distúrbios do sono, 7,6% tenham tido comportamentos sexuais enquanto dormiam pelo menos uma vez. 

Só que além dos fatores de risco, a sexônia tem diferentes gatilhos que podem desencadear um episódio. O consumo de drogas, lícitas ou ilícitas, é um deles, mesmo que não tenha necessariamente ocorrido no dia anterior.

Todos esses fatores de risco e gatilhos não são excludentes, ou seja, uma pessoa com essa parassonia pode ter desencadeantes completamente diferentes.

Distúrbio afeta majoritariamente homens

Nas pesquisas feitas sobre a sexônia, outra tendência chama a atenção: o fato de esse ser um distúrbio do sono que afeta mais homens do que mulheres. A proporção é de 3:1.

No caso dos homens, a incidência é ainda mais frequente em jovens adultos.

Há uma outra diferença entre os gênero: nas mulheres, existe uma predominância da masturbação como comportamento sexual durante o sono. Nos homens, o ato tende a variar mais. 

Diagnóstico da sexônia

Antes de mais nada, é preciso diferenciar a sexônia da polução noturna. 

A polução noturna, ou ejaculação noturna, é uma ejaculação involuntária que acontece durante o sono, sobretudo na fase REM. Ou seja, muitas vezes ela está associada a um sonho erótico. O fenômeno é mais comum em homens adolescentes, mas pode acontecer em qualquer fase da vida.

Mulheres também podem ter orgasmos dormindo e, em ambos os casos, a sensação é tão verdadeira quanto aquela que acontece durante uma relação, seja em nível muscular, cerebral ou hormonal.

Só aí já é possível ver uma clara diferença entre os dois: enquanto a polução noturna está associada ao sono REM, a sexônia acontece no sono não-REM.

“Vergonha” dificulta o diagnóstico

A inconsciência que leva a um comportamento sexual durante o sono tem impactos psicossociais imensuráveis e, por isso, acredita-se que a maioria das pessoas que experimentam sintomas da sexônia nunca reportam isso a um médico. 

A vergonha é um fator comum entre essas pessoas, já que a condição pode levar a lesões físicas e até mesmo a abusos sexuais inconscientes dentro do relacionamento. A totalidade das consequências desse distúrbio para os casais ainda depende de estudo. 

Em casos que a pessoa dorme sozinha, identificar sintomas e episódios pode ser muito mais difícil, afinal, ao despertar, ela nem sequer se lembra do que houve. Caso você suspeite que pode ter essa parassonia, busque ajuda com um médico especialista em sono. Como não há um exame físico que ateste o distúrbio, serão investigadas as possíveis causas-gatilho. O profissional de saúde pode recomendar ainda, por exemplo, a execução de uma polissonografia gravada.

Tratamento da sexônia

Por não ser um distúrbio do sono primário, o tratamento da sexônia é voltado para os gatilhos que desencadeiam os episódios, sejam eles médicos ou não. 

Por exemplo, em casos mais associados ao consumo de drogas ou álcool, a redução completa da ingestão dessas substâncias é o primeiro passo a ser tratado. 

Medicamentos antidepressivos e para o distúrbio de ansiedade, como o Clonazepam, também apresentam boa resposta. Essas substâncias só podem ser compradas e consumidas com indicação e acompanhamento próximo de um médico. 

Para pessoas cuja origem da sexônia está na apneia do sono, o tratamento costuma envolver a utilização do CPAP, mas um estudo desenvolvido nos Estados Unidos e em Portugal aponta que a utilização de um a​parelho de avanço mandibular, mais barato e confortável, pode apresentar os mesmos efeitos.

É importante que pacientes e médicos saibam que a sexônia é um distúrbio real e comprovado, com importantes consequências na vida das pessoas, tanto do paciente quanto do seu companheiro ou companheira de quarto. Ele não é, e nem deverá ser, usado para que uma pessoa escape de um julgamento por abuso, já que é passível de diagnóstico.

Boa noite.

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