Quando a sonolência diurna vira sinal de alerta

21 de dezembro, 2020

Quando a sonolência diurna vira sinal de alerta

Quem nunca ficou cansado “do nada” no meio da tarde? Ter sono durante o dia pode acontecer com qualquer um que teve uma noite ruim, fez muitos exercícios físicos ou até mesmo em casos de gripes ou resfriados, que sugam a nossa energia. Tudo isso é normal. Mas quando essa exaustão incontrolável de dia é excessiva ou contínua, pode ser um sinal de alerta para a sonolência diurna.

O que é sonolência diurna?

Também conhecida como hipersonia ou hipersonolência, a sonolência excessiva diurna (SED) é a incapacidade de se manter alerta ou acordado durante o período do dia. A dispersão é tão grande que a pessoa pode chegar a dormir ou cochilar durante as tarefas mais corriqueiras da rotina.

Aí que mora o perigo. Imagine uma pessoa com SED dirigindo e pegando no sono.

De acordo com o neurocientista Russell Foster, estima-se que 31% dos motoristas dormem ao volante ao menos uma vez em suas vidas. Não a toa o índice de fatalidades em decorrência de motoristas que adormecem já supera os de direção embriagada e sob influência de drogas juntas. 

Também é importante diferenciar a sonolência diurna da fadiga, que é uma condição de cansaço adquirido com o prolongamento de atividades exaustivas mentalmente e / ou fisicamente. Uma maneira de diferenciá-las é a recuperação que cada uma exige: enquanto a fadiga é remediada com repouso, a SED exige sono. 

As causas da SED

Em muitos casos, a sonolência diurna é uma consequência da privação do sono, efeito de medicações como anti-histamínicos ou relaxantes musculares, apneia do sono ou depressão, entre outros fatores. Neste caso, ela é classificada como secundária. 

A hipersonia primária “é menos comum”, explica a Associação Americana de Médicos da Família. Neste caso, a sonolência pode ser reflexo de outras condições médicas como a narcolepsia, que atinge entre 0,02 e 0,18% da população, ou a hipersonia idiopática. 

Como detectar a sonolência diurna?

O diagnóstico deve ser feito por um médico, que avalia uma série de fatores clínicos, como o histórico médico e o impacto da sonolência no dia a dia do paciente, sobretudo para diferenciá-la da fadiga.

Os exames físicos focam em questões como a hipertensão, circunferência do pescoço e estrutura do maxilar, todos de relação íntima com a apneia do sono.

Como muitas pessoas têm mais sonolência do que efetivamente percebem, existem também questionários médicos que ajudam a determinar a fundo a intensidade da SED. 

Um desses questionários é a Escala de Sonolência de Epworth. Ele é composto de oito situações cotidianas e o paciente deve pontuar cada uma de 0 a 3 pontos, sendo o 0 “nenhuma chance de ficar sonolento fazendo” e o 3 “altas chances de ficar sonolento fazendo”. Veja abaixo as perguntas:

  • Lendo sentado
  • Vendo televisão
  • Sentado inativo em espaço público (como teatro ou reuniões)
  • Viajando de carro como passageiro por uma hora, sem paradas
  • Deitado à tarde para descansar
  • Conversando com alguém
  • Sentado após o jantar, não tendo ingerindo álcool
  • No carro para por alguns minutos no trânsito.

Se você marcar acima de 11 pontos, procure um médico para relatar a sonolência diurna.

Se você marcar menos de 11 pontos, mas já “pescou” ao volante ou cochila regularmente em aula ou reuniões, também é necessário buscar um profissional de saúde do sono.

Ambos os casos são sinais de alerta para sonolência diurna.

[BAIXE AQUI O MODELO DA ESCALA DE SONOLÊNCIA DE EPWORTH] 

Tratamento para sonolência diurna

O tratamento da hipersonia deve levar em conta a sua classificação e, geralmente, começa pela correção de potenciais causas clínicas agravantes, como hipotiroidismo ou anemia crônica. 

No caso da sonolência secundária, o processo tem que considerar a sua causa. Quando ela é ocasionada por medicamentos, por exemplo, devem ser discutidas entre médico e paciente alternativas de tratamento ou associação de medicações que diminuam o sono. 

É importante ressaltar que o tratamento da SED é sempre individualizado e deve ser baseado na sua gravidade e seus sintomas.

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