O que as diferenças do sono dizem sobre classes sociais no Brasil

20 de janeiro, 2021

O que as diferenças do sono dizem sobre classes sociais no Brasil

O cronotipo é uma característica biológica que ajuda a determinar em que horários o corpo de cada pessoa terá seus picos de produtividade e melatonina, e, com isso, seus melhores horários para trabalhar e dormir. Mas ele não trabalha sozinho. O ambiente, o clima, o local de nascimento, o trabalho e até mesmo a classe social também têm alta influência no nosso ritmo circadiano.

A informação faz parte da pesquisa Acorda, Brasil!, desenvolvida a pedido do Persono, conduzida pela plataforma de human analytics da MindMiners – empresa de tecnologia e coordenada pela consultoria Unimark/Longo. Clicando no banner abaixo você baixa a pesquisa completa 

Faça o download da pesquisa do Persono sobre o sono no Brasil

Ao todo, a pesquisa entrevistou 2000 pessoas das cinco regiões do país. Elas representam as classes sociais A, B1, B2, C1 e C2, com objetivo de retratar com a maior amplitude possível a diversidade do brasileiro.

Deus ajuda quem cedo madruga?

Talvez esse dito popular tenha que ser atualizado frente ao resultado da pesquisa. 

Na realidade do Brasil, são as pessoas da classe C que declaram se sentir mais dispostas nas primeiras horas do dia, entre as 5h00 e 9h00. Para referência, pertencem à classe C as famílias cujo rendimento varia entre quatro e dez salários mínimos, ou seja, R$4.180 a R$10.450.

Do outro lado do espectro, a janela horária de menor disposição da classe C ocorre das 21h00 às 00h00, com apenas 7,11% dos participantes da pesquisa afirmando ser esse o seu melhor horário. 

Um olhar mais cuidadoso consegue encontrar a correlação entre esses fatos. Por sua renda, essas pessoas vivem mais longe dos grandes centros e, como consequência, precisam acordar mais cedo para chegar ao trabalho. O corpo acaba “treinado” a despertar mais cedo, se ajustando às necessidades do dia a dia. 

A classe A no Brasil dorme mais tarde e tenta compensar o sono

Se a classe C é a que se sente mais disposta pela manhã, são as pessoas mais ricas do país as que vão para a cama mais tarde. Como referência, é considerada da classe A a família cuja renda é acima de 20 salários mínimos (R$20.900).

De acordo com a pesquisa encomendada pelo Persono, 33% do grupo mais rico do Brasil dorme apenas após a meia-noite. Essa porcentagem cai para 31% na classe C.

Com as horas a menos de sono, essas pessoas acabam tentando “compensar o sono” nos finais de semana, uma prática que não é recomendada pelos estudos mais avançados da medicina do sono. Ela não apenas prejudica o ritmo circadiano, como aumenta o risco de ganho de peso e diminui a resistência à insulina, aumentando as chances de desenvolvimento de diabetes. A descoberta foi feita por um grupo de pesquisadores da Universidade do Colorado, em Boulder (EUA) em 2019.

Essa descoberta (…) mostra que o tempo de recuperação do sono durante o fim de semana provavelmente não é uma medida eficaz para contrabalançar os problemas metabólicos quando a perda do sono é crônica”, explicaram os pesquisadores.

Ou seja, dormir mais no final de semana pode até ajudar quando se estiver cansado, mas não é indicado como rotina para balancear o descanso de quem já dorme menos do que recomendado.

Menos dinheiro = menos qualidade de sono

As diferenças de sono de acordo com as classes econômicas não são observadas apenas no Brasil. Um estudo de 2010 desenvolvido por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia já apontava essa tendência.

Na pesquisa americana o resultado foi conclusivo: a situação socioeconômica mais precária é associada com mais taxas de reclamações sobre a qualidade do sono

Os pesquisadores ainda identificaram que pessoas empregadas dormem melhor do que aquelas que estão buscando reinserção no mercado de trabalho. Esse aspecto, claro, tem a ver com questões de estresse e ansiedade que a situação gera.

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