O horário comercial é machista e os dados podem provar

29 de janeiro, 2021

O horário comercial é machista e os dados podem provar

O título desse post pode ser chocante, mas ele é real. O chamado horário comercial, das 9h às 18h, ou o 9 to 5 nos Estados Unidos, é sim machista. Ele foi criado por homens e leva em conta as necessidades fisiológicas deles mesmos. 

A explicação para isso é mais simples do que possa parecer. Enquanto os homens têm mais propensão ao cronotipo matutino, as mulheres tendem a ser mais vespertinas.

Ou seja, enquanto eles têm pico de produtividade nas primeiras horas da manhã, elas tendem a “funcionar” melhor algumas horas depois. 

Na pesquisa Acorda, Brasil!, desenvolvida a pedido do Persono, conduzida pela plataforma de human analytics da MindMiners – empresa de tecnologia e coordenada pela consultoria Unimark/Longo, que analisou o sono do brasileiro, esse dado aparece. Enquanto 59% dos homens se consideram matutinos ou “mais matutinos”, esse número cai 7 pontos percentuais no caso das mulheres. 

Mulheres preferem o horário flexível de trabalho

Um dos reflexos dessa diferença na cronotipagem é a tendência pela aplicação da flexibilidade laboral. 

Enquanto quase 38% das mulheres se denominam “entusiastas do horário flexível”, apenas 29,44% dos homens dizem o mesmo. Do outro lado do espectro, 12,5% deles são “contra o horário flexível”, apenas 8,92% delas concordam.

Veja abaixo o gráfico completo, extraído da pesquisa Acorda, Brasil!

A pesquisa também perguntou aos seus 2000 participantes se eles gostariam que seus empregadores atuais oferecessem horário flexível ou se eles preferem continuar no horário comercial. Enquanto 69% das mulheres disseram que gostariam ou gostariam muito, 61% dos homens consideraram a hipótese.

Além do perfil de sono, a desigualdade na distribuição das tarefas domésticas também é parcialmente responsável pelas mulheres serem mais favoráveis à flexibilização dos horários da “firma”. 

De acordo com relatório “Tempo de Cuidar”, desenvolvido pela Oxfam, as mulheres são responsáveis por mais de três quartos do cuidado não remunerado. Se fosse pago, ele representaria uma contribuição de pelo menos US$ 10,8 trilhões por ano à economia.

O fim do horário comercial?

É evidente que alguns setores, como o bancário ou o de vendas, seguirão com o horário comercial. Mas será que ele é necessário assim pra turma do escritório?

É possível que não. Com a pandemia e o trabalho remoto “obrigando” todos a aprenderem a trabalhar de modo flexível, é claro o caminho de que, sim, dá pra ser mais maleável.

Consultorias de RH já falam em um modo de trabalho “híbrido” e a literatura especializada começa a evidenciar os benefícios para os funcionários e as empresas, tais como satisfação com o empregador, menos demissões voluntárias e até mesmo melhoria na saúde do time.

No Brasil, o horário flexível cresceu impressionantes 192% entre 2017 e 2019, número que tende a aumentar ainda mais em 2021. A política é adotada por empresas como a Pepsico e a Vale

Ora, se falamos do sono como uma ferramenta de produtividade e uma hora a mais nos fará, homens ou mulheres, termos um desempenho melhor no local de trabalho, por que não?

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